domingo, 28 de agosto de 2016

UMA FICÇÃO, COMO A INCRÍVEL VIDA AVENTUREIRA DE JOHN HUSTON

Amigo pessoal do cineasta John Huston, Peter Wiertel acompanhou e documentou as filmagens de Uma aventura na África (The Africa Queen, 1951). Escreveu inclusive a crônica dos bastidores. O testemunho originou o livro White hunter, black heart, publicado em 1953, e um roteiro que não despertou interesse algum ao longo de três décadas. No final dos anos 80 a peça chegou ao conhecimento de Clint Eastwood, com a carreira de diretor em ascensão desde O cavaleiro solitário (Pale rider, 1985) e Bird (Bird, 1988). Vivamente interessado nos originais de Wiertel, o intérprete de "o estranho sem nome" convocou os roteiristas e também cineastas James Bridges e Burt Kennedy para atualizar o guião ao andamento narrativo do cinema dos anos 80. O resultado final, exposto nas telas, dividiu a crítica. Aos que souberam apreciá-lo, Coração de caçador (White hunter, black heart, 1991) é apaixonante, vigoroso, surpreendente e personalíssimo, um dos melhores da filmografia de Eastwood. Ele interpreta o cineasta John Wilson, uma imagem duplicada e um tanto desfocada de John Huston no provável contexto que o envolveu quando da realização de Uma aventura na África. O personagem que salta das telas é a imagem da obsessão, um tipo franco e arrojado, predisposto a tudo, inclusive a viver no limite máximo da existência. O John Wilson/Huston de Eastwood é um homem poliédrico, avesso a qualquer regra, que soube, como poucos, viver a aventura à moda dos grandes exploradores e individualistas. A apreciação a seguir, de 1991, sofreu revisão e ampliação sete anos depois.







Coração de caçador
White hunter, black heart

Direção:
Clint Eastwood
Produção:
Clint Eastwood
Malpaso, Rastar, Warner Brothers
EUA — 1990
Elenco:
Clint Eastwood, Jeff Fahey, George Dzundza, Marisa Berenson, Richard Vanstone, Jamie Koss, Alex Norton, Alun Armstrong, Timothy Spall, Mel Martin, Charlotte Cornwell, Norman Lumsden, Richard Warwick, Edward Tudor Pole, Roddy Maude-Rokby, John Rapley, Catherine Neilson, Anne Dunkley, David Danns, Myles Freeman, Geoffrey Hutckings, Christopher Fairbank, Clive Mantle, Martin Jacobs, Norman Malunga, Eleanor David, Boy Mathias Chuma, Andrew Whalley, Conrad Asquith, George Orrison, Bill Weston, David Mabukane.



Clint Eastwood durante as filmagens de seu Coração de caçador



Coração de caçador é surpreendente. Dividiu radicalmente a crítica ancorada no eixo Rio-São Paulo. Os atuais cronistas cariocas  incipientes, habituados a confundir sinopses com exercícios de apreciação, mal ocultando a ignorância que nutrem em relação ao cinema e sua história  em geral odiaram a décima-quarta incursão de Clint Eastwood na direção. Melhor formados, os paulistas foram à adoração. Há que se concordar com estes. É um filme vigorosíssimo, escorado em roteiro e diálogos magníficos — modelarmente plásticos. Ajustam-se com facilidade às exigências de cada situação, revelando-se poéticos em alguns momentos, vulgares ou ferinos em outros. John Wilson (Eastwood) — o cineasta e caçador do título — é personalidade rara e fascinante. Integra uma estirpe de homens varrida da arena histórica pela vitória da racionalidade dominante, fincada no imediatismo e na crescente ordenação da vida às exigências do consumo. Guiado por uma determinação pioneira, sempre dribla a normalidade tão próxima do medíocre. Não titubeia em considerar a vida como convite à aventura, à constante superação de desafios.


Coração de caçador é a definitiva confirmação de um realizador talentoso. Eastwood vinha de O cavaleiro solitário (Pale rider, 1985) e Bird (Bird, 1988), claras materializações de um sólido potencial criativo evidenciado desde a estréia com Perversa paixão (Play misty for me, 1971). O segundo cartão de visita, O estranho sem nome (High plains drifter, 1972), também prometia. O quinto, Josey Wales, o fora da lei (The outlaw Josey Wales, 1976), deixava o espectador em otimista estado de prontidão. Às vezes a coisa desandava: em meio ao alento surgiam os pouco inspirados Interlúdio de amor (Breezy, 1973), Escalado para morrer (Eiger sanction, 1975), Bronco Billy (Bronco Billy, 1980) e exemplos do que há de mais rançoso, estúpido e gratuito na produção cinematográfica estadunidense: Firefox, a raposa de fogo (Firefox, 1982), Impacto fulminante (Sudden impact, 1983) e o deprimente O destemido senhor da guerra (Heartbreak ridge, 1986). Agora é prá valer. Diante de Coração de caçador são perdoados todos os deslizes cometidos por Clint Eastwood. Podem ser vistos com mais abertura e generosidade, como trabalhos de formação frente aos quais todos os erros são permitidos.


Ao final de Coração de caçador, quando rolam os últimos créditos, um letreiro informa: é obra de ficção. Entretanto, isso é apenas meia verdade. John Wilson e a aventura que protagoniza possuem correspondentes estimulantes e reais. Nomes alterados e liberdades tomadas não conseguem ocultar o óbvio: movimenta-se, por trás de Wilson, o diretor John Huston às voltas com acontecimentos que tumultuaram os bastidores e as filmagens de Uma aventura na África (The Africa Queen, 1952) — nono filme do realizador, estrelado por Humphrey Bogart e Katharine Hepburn, rodado em locações no Quênia e em Uganda.


Clint Eastwood interpreta o cineasta, caçador e aventureiro John Wilson


Originalmente, White hunter, black heart batiza livro — de1953 — e roteiro escritos por Peter Wiertel, amigo pessoal de Huston, com quem dividiu a autoria do guião do injustamente esquecido Resgate de sangue (We were strangers), filmado pelo diretor em 1949. A pedido de Huston, Wiertel acompanhou o desenvolvimento de Uma aventura na África desde a pré-produção. Também forneceu colaboração — não creditada — ao roteiro elaborado por James Agee em parceria com o realizador. Durante trinta e poucos anos ninguém se interessou por White hunter, black heart. De mão em mão e de estúdio em estúdio, chegou ao conhecimento de Clint Eastwood, cativando-o de imediato. James Bridges e Burt Kennedy foram chamados para adequá-lo às exigências narrativas do cinema de fins dos anos 80.


As primeiras imagens de Coração de caçador mostram o misto de cineasta e aventureiro John Wilson entregue à prática da equitação. A voz em off de Peter Wiertel  rebatizado para Pete Verrill (Fahey)  recobre a cena e, em poucas palavras, resume a personalidade do cavaleiro: "John Wilson, um homem violento disposto à ação violenta, movido pela autodeterminação que o impele a viver de modo selvagem. Generalizações sempre me pareceram imprecisas. Por isso quis escrever sobre John, cineasta brilhante e impetuoso, que violou todas as convenções do cinema. Possuía uma habilidade mágica, próxima do divino, que invariavelmente levava-o a ser bem sucedido".


John Wilson (Clint Eastwood): roteirista, cineasta, caçador e aventureiro


Arrogante, machista, imprevisível, temperamental, irresponsável, indiscreto, grosso, desbocado, fascinante: Wilson é uma força da natureza, um diamante bruto resistente a qualquer tentativa de lapidação. Apenas aceita o que pensa e prescreve. Não valoriza admoestações e opiniões alheias. Desrespeita as mais elementares convenções, regras, normas, padrões e etiquetas. Visceral ao extremo, abomina as linhas da racionalidade. Desafia os limites da capacidade física: deixam de contar diante de oportunidades e sensações sempre prontas a ser aproveitadas e vivenciadas, não importam riscos e custos. "Tudo vale a pena, até a queda do avião": esta opinião de Hodkins (Spall)  piloto da aeronave que transporta Wilson ao campo de caça  é inteiramente corroborada pelo cineasta. O que conta é viver no limite e extravasar emoções. Por isso, Wilson não comete um arroubo quando diz ao centrado e assustado Verrill: "Se um leão me matar, meus últimos minutos serão felizes". Ou no avião, pedindo para ser acordado se o aparelho "bater", pois "não gostaria de perder isso por nada". Depois, em meio às corredeiras e perigosamente próximo das cachoeiras, experimenta pessoalmente a resistência do barco a ser usado nas filmagens, para desespero do gerente de produção, Ralph Lockhart (Armstrong), e de Verrill, convidados ao teste. Chega a hora em que esse não suporta mais a crescente necessidade de exposição de Wilson: admoesta-o, chama-o de "louco ou (...) o mais egocêntrico e irresponsável filho da puta que conheci". O cineasta, por sua vez, não entende os motivos alheios ou se passa por desentendido. Apesar de ostentar excessivas arrogância e autossuficiência, quando quer sabe ser surpreendentemente encantador como na recepção aos atores e equipe de filmagem recém-chegados às locações no Quênia.


Nas paragens africanas, Jeff Fahey, Conrad Asquit e Clint Eastwood nos respectivos papéis de Pete Verrill, Ogilvy e John Wilson 

  
Sem papas na língua, Wilson diz o que pensa apoiado numa franqueza desconcertante e sem ligar para susceptibilidades por ventura feridas. Na África, diante do arraigado antissemitismo de Mrs. Margareth McGregor (Martin), inglesa que o acompanha à mesa, não hesita em destratá-la de modo contundente: relembra a resposta que deu em Londres, a uma senhora que nutria preconceito semelhante: "Já jantei com as putas mais feias do meu tempo; já jantei com as putas mais horrorosas do mundo, mas você querida, é a puta mais horrível de todas, você é a puta mais horrível com quem jantei". Também parte para a briga a socos com Harry (Mantle), o gerente do hotel, após chamá-lo de "filho da puta, covarde e sádico" por destratar e agredir gratuitamente um empregado negro. Wilson pretendia, nesse momento, quebrar a monotonia, fornecer um pouco de diversão aos africanos. Leva a pior na contenda, mas nem por isso se mostra insatisfeito.


Para Wilson, viver significa valorizar emoções básicas: "Coragem, medo, impotência e morte". Em tudo, são elas que contam, assevera, praticamente em concordância com Ernest Hemingway, Gustave Flaubert e William Faulkner, autores "que não complicavam" e reduziam a existência a uma abstração feita de "exigências simples". A "verdadeira arte", acredita, deve ser encarada da mesma forma. Diante desse argumento Verrill pensa que Wilson está ditando regras à atividade artística. Nada mais falso. Regras são produtos de racionalizações e delas o personagem de Eastwood escapa ao aderir incondicionalmente ao sensorial. Tanto que sequer lê roteiros, para não perder a "espontaneidade artística". Chega a enviá-los, literalmente, à apreciação dos macacos.


Wilson não contém a impaciência. Respeita e defende Hollywood, afinal, é onde ganha o pão. Mas sabe que o lugar é fake, feito de faz de conta, repleto de fastio e da mais pura e desavergonhada burrice. Hollywood se deixa ver por inteiro em Irene Saunders (Neilson), starlet e caso de Wilson, que manifesta vontade de escrever roteiro para um drama canino protagonizado por um cachorro chamado Horace; ou na grotesca encenação à King Kong em um bar, ilustrada por motivos africanos segundo a ótica do exótico e pitoresco que a Meca do cinema vende ao mundo. Não para menos o espectador se despede desse ambiente de impostura com a câmera fechando em primeiro plano o duro semblante de Wilson. Corta para o avião aterrissando em solo africano, o mundo da verdade — poderia dizer aliviado o cineasta. Na África filmará uma aventura mista de comédia e drama, produzida por Paul Landers (Dzundza) para a Sunrise Pictures e protagonizada por Phill Duncan (Vanstone) e Kay Gibson (Berenson). São nomes que encobrem, respectivamente, as identidades reais de Sam Spiegel, Horizon Pictures, Humphrey Bogart e Katharine Hepburn. Duncan chega às locações com a jovem esposa, simplesmente identificada como Mrs. Duncan (Koss), codinome para Lauren Bacall.


A starlet Irene Saunders (Catherine Neilson) e John Wilson (Clint Eastwood) 

Katharine Hepburn, Humphrey Bogart e Lauren Bacall, aliás, Marisa Berenson, Richard Vanstone e Jamie Koss, intérpretes respectivos de Kay Gibson, Phil Duncan e Mrs. Duncan


Não é a produção em si que atrai e mobiliza as energias de Wilson. É a África mesmo, a mística do continente, o território ainda relativamente virgem, intocado, que o convoca à aventura: o desafio da caça ao elefante de presas mais longas que puder ser encontrado. É a esta missão que Wilson se entrega com incontroláveis destemor e paixão. Enquanto não atende ao chamado selvagem  não é um capricho, mas necessidade vital e inadiável  não terá condições de filmar. Enquanto isso, atores e equipe aguardam e se estressam. Ora, "que esperem!". Os cronogramas podem ser dilatados; os orçamentos estourados os produtores enlouquecidos. Quanto a estes, basta observar a crueldade e o sarcasmo no tratamento conferido por Wilson a Paul Landers, ou ao associá-lo à mais irrelevante puerilidade no mundo do cinema quando o empurra para a companhia de Irene Saunders.


Wiertel conta: Huston agiu como Wilson. Não é de estranhar. Basta consultar a biografia do diretor para conferir o quanto vivia ardentemente a aventura. Era homem para todos os desafios, à moda de Raoul Walsh — o único em Hollywood que lhe serve de paralelo. Huston, como Walsh, amava a natureza, a vida selvagem, a ação, o perigo. Wilson, à sua maneira, também. Caçar o elefante, para ele, não é simples obsessão, mas uma profanação necessária. Sabe disso melhor que ninguém. Por isso, antepõe um conceito mais forte ao de "crime", usado por Verrill para repreendê-lo pelo desejo de matar "uma das espécies mais majestosas sobre a face da Terra": "Matar um elefante não é crime, Pete; é pecado", contesta!


O caçador John Wilson (Clint Eastwood)

  
Bigger than life (maior que a vida): é a melhor síntese de John Huston, um dos raros homens de quem se pode dizer: conseguiu fazer, à sua maneira, tudo o que queria. Clint Eastwood lhe oferece um duplo, menor, é verdade, mas nesse quesito o cinema tem suas limitações. A rica existência de John Huston não cabe num filme, sequer um pequeno extrato como a saga em torno das filmagens de Uma aventura na África. Mas Eastwood, também ao seu modo, contorna bem a limitação. Os créditos lembram: Coração de caçador é peça de ficção. Mas se o modelo é real, com dificuldades a ter na tela um retrato fiel e convincente diante da complexidade de sua grandeza, a ficção é uma boa desculpa para justificar a recriação e a pessoalidade do enfoque. John Wilson, guardadas as devidas proporções, é o Huston de Eastwood. Foi concebido da melhor forma a caber na tela do cinema. Numa narrativa seca e direta renasce um personagem de lenda, mas real de tão próximo do humano. Contribui para isso o ar de dureza brejeira, tingida de cinismo e gaiatice, que salta do perfil de Wilson. Mas tudo é feito, sempre, à moda de Eastwood, como convém. John Wilson se assemelha ao lacônico "estranho sem nome" dos westerns que o diretor estrelou para Sergio Leone  Por um punhado de dólares (Per um pugno de dollari, 1964), Por uns dólares mais (Per qualche dollaro in più, 1965), Três homens em conflito (Il buono, il brutto, il cattivo, 1966)  ou dos que ele próprio realizou, devidamente expurgados da aura mística: O estranho sem nome e O cavaleiro solitário. Entretanto, há uma diferença fundamental: em Coração de caçador temos um personagem extremamente falante, que maneja bem a capacidade verbal a ponto de usá-la como navalha, sempre no ataque, nunca na defesa. Que o digam os produtores e roteiristas!


O final, cruel, fornece a explicação ao título original. Wilson estava com tudo preparado na aldeia que empresta locações. Bastava iniciar as filmagens. Para surpresa geral, paralisa as atividades e, resoluto, embarca no Jeep tão logo recebe informes sobre a presença de elefantes nas proximidades. O ambiente da caça, repleto de fêmeas e filhotes, é arriscado. Quanto a isso, Wilson é devidamente prevenido. Mas Kivu (Chuma), o guia nativo  tão disposto e destemido a ponto de servir de espelho a Wilson , discorda do perigo. A situação é propícia, garante. De repente, em seqüência digna de antologia, uma fêmea de presas enormes carrega sobre o grupo e estanca em posição ameaçadora diante de Wilson pronto para disparar o tiro. A platéia prende a respiração. No entanto, sobra tempo para perguntar sobre quem terá a primazia do ataque: o caçador impulsivo ou o animal instintivo? Alternam-se os primeiros planos nervosos de Wilson e seu duplo enfurecido. São duas forças da natureza que parecem se reconhecer e se respeitar. O animal baixa a guarda e recua. O caçador age da mesma maneira. Mas o filhote corre em direção à cena. A mãe pressente o perigo e recarrega sobre o caçador. Para protegê-lo, Kivu se lança diante da fera, tentando desviá-la. Morre ao ser alçado e lançado pela tromba.


Kivu (Boy Mathias Chuma), John Wilson (Clint Eastwood) e a caça

John Wilson (Clint Eastwood)


John Wilson não caçou o elefante. Pior, perdeu o guia na tentativa. No fundo, será pior para quem? A notícia da morte de Kivu é espalhada pelos tambores. Os primeiros sons são traduzidos como white hunter, black heart (nas legendas, caçador branco, coração mau). Ainda ecoam os repiques quando Wilson assume a cadeira de diretor e ordena, entre o luto e a consternação, o início das filmagens. Nesse momento, o semblante lívido do personagem resume um misto de muitas emoções. Sentiu a morte do guia, mas ele mesmo, no fundo, como se sente? Aliviado e realizado — arrisca-se a dizer o espectador depois de passar todo o filme sendo apresentado à personalidade de John Wilson — "um homem violento disposto à ação violenta, movido pela autodeterminação que o impele a viver de modo selvagem". Afinal, existe ação mais violenta que a morte de alguém, ainda mais da forma como aconteceu a Kivu? Que sensações Wilson experimentou, quantas emoções não extravasou ao presenciá-la? Agora, está pronto para a aventura do faz de conta. Pode deixar o mundo real e adentrar na ficção do cinema. Quando Kay Gibson se posiciona diante das câmeras, refaz em sentido contrário a trajetória iniciada pelo pastiche de King Kong visto próximo do começo, quando os principais personagens da história ainda gozavam da paz, da vulgaridade e do fake da ambientação hollywoodiana.


John Wilson (Clint Eastwood)


Coração de caçador foi filmado em locações no Zimbabwe e nos Estúdios Pinewood, Inglaterra. Um dos trunfos da produção é a fotografia de tonalidades claras de Jack N. Green, que tão bem aproveita o brilho africano. Green habitualmente colabora com Eastwood, como o músico Lennie Niehaus, o produtor executivo David Valdes e o montador Joel Cox. O diretor, à maneira de John Ford, também vai formando uma equipe estável de realização.





Roteiro: Peter Wiertel, James Bridges, Burt Kennedy, com base na novela White hunter, black heart, de Peter Viertel. Direção de fotografia (Technicolor): Jack N. Green. Desenho de produção: John Graysmark. Montagem: Joel Cox. Figurinos: John Mollo. Trilha musical: Lennie Niehaus; com Satin doll, de Duke Ellington, Johnny Mercer, Billy Strayhorn. Produção executiva: David Valdes. Co-produção: Stanley Rubin. Produção de elenco: Mary Selway. Gerente de produção: Roy Button. Primeiro assistente de direção: Patrick Clayton. Gerentes de locações no Zimbabwe: Pat Harrison, Murray Russell. Gerente de locações na Inglaterra: Nick Daubeny. Coordenação de produção: Carol Regan. Coordenação de locações no Zimbabwe: Marianne Jacobs. Pesquisa de locações: Julie Gianfield. Assistente para Clint Eastwood: Tom Rooker. Contador na Inglaterra: Arthur Tarry. Contador nos EUA: Michael Maurer. Segundos assistentes de direção: Chris Brock, Tim Lewis. Terceiro assistente de direção: Isaac Mabhikwa. Operadores de câmera: Jack N. Green, Peter Robinson. Foco: Anthony Rivetti, Martin Kenzie. Claquete: Graham Hall, Olive Mackey. Produção da mixagem de som: Peter Handford. Microfones: Martin Trevis. Continuidade: Nikki Clap. Supervisão de edição de som: Alan Robert Murray, Robert Henderson. Edição musical: Donald Harris. Assistente de montagem nos EUA: Michael Capriano. Assistentes de montagem na Inglaterra: Russel Woolnough, Mark Gill. Edição de som: Bob Asman, Virginia Cook-McGowan, David M. Horton, Joseph A. Ippolito, Jayme Parker, Marshall Winn. Assistentes de edição de som: Brooke Henderson Ward, Karen Minahan, Michelle Pleis. Edição de ADR: James Simock, Hank Salerno. Mixagem da regravação: Les Fresholtz, Vern Poore, Michael Jiron. Supervisão de guarda-roupa: Ron Peck. Guarda-roupa feminino: Janet Terrooke. Assistentes de guarda-roupa: Hector Guarata, Beaulah Guarata. Chefe de maquiagem: Paul Engelen. Maquiagem: Linda Armstrong. Chefe de penteados: Colin Jamison. Penteados: Janet Jamison. Eletricista-chefe: Alan Martin. Boy: Vincent Clarke. Técnico-chefe: Colin Manning. Técnico: Kevin Fraser. Decoração: Peter Howitt. Direção de arte: Tony Reading. Assistente de direção de arte: Martin Hitchcock, Patricia Johnson. Contra-regra: Tony Feiger. Unidade de seqüências de caçadas: Simon Trevor (direção de segunda unidade e câmera); Jamie Harcourt (operador de câmera); John Feltcher (foco); (David Chiganze (técnico). Unidade de seqüências aéreas: Peter Allwork (operador de câmera); Matthew Allwork (foco). Unidade de seqüências fluviais: Peter Jones (engenheiro); Lan Cochrane (piloto de helicóptero). Supervisão de efeitos especiais: John Evans. Técnicos de efeitos especiais: Kevin Drayoott, Barry Whitrod, Gift Nyamandi, Steve Sango. Supervisão de efeitos visuais: Roy Field. Assistente de efeitos visuais: Peter Field. Publicidade na Inglaterra: Marco Baria. Publicidade nos EUA: Sarah Keene. Fotografia fixa: Murray Close. Produção de elenco nos EUA: Phyllis Hoffman. Assistente de produção de elenco na Inglaterra: Caitlin Rhodes. Produção de elenco no Zimbabwe: Andrew Whalley. Coreografia: Arlene Phillips. Percussão: Emil Richards, Efrain Toro. Gerente de construções: Tony Graysmark. Chefe de carpintaria: Peter Williams. Gerente de transportes: Arthur Dunne. Assistente de gerente de transportes: Coaster Nziramasanga. Coordenação da unidade de motoristas: Brian Eastabrook. Gerente de campo: Titus Chitokodd. Títulos e efeitos ópticos: Pacific Title. Tempo de projeção: 112 minutos.


(José Eugenio Guimarães ‑ 1991; revisto e ampliado em 1998)